Constantino foi um imperador romano favorável aos cristãos. Quando estava em guerra, ele afirmou ter visto no céu uma cruz luminosa com a seguinte inscrição: "In hoc signo vinces" ("Por este sinal vencerás"), e mais tarde adotou esta inscrição como insígnia do seu exército. No ano 313 d.C., Constantino promulgou o famoso Edito de Tolerância, que oficialmente terminou com as perseguições. Somente no ano 323 d.C. foi que Constantino alcançou o posto supremo de imperador, e o cristianismo foi então favorecido. Ele retardou o ato de seu batismo até as vésperas de sua morte, julgando que o ato do batismo lavava todos os pecados cometidos anteriormente, ideia que prevalecia entre os cristãos naquela época. Se Constantino não foi um grande cristão, foi sem dúvida um grande político, pois teve a ideia de unir-se ao movimento que dominaria o futuro de seu império.
Cessaram todas as perseguições para sempre. Durante duzentos anos antes, em nenhum momento os cristãos estiveram livres de perigos, acusações e morte. Entretanto, desde a publicação do edito de Constantino, no ano 313, até o termino do império, a espada foi não somente embainhada; foi enterrada.
Os templos das igrejas foram restaurados e novamente abertos em toda a parte. No período apostólico, celebravam-se reuniões em casas particulares e em salões alugados. Mais tarde, nos períodos em que cessavam as perseguições, construíam-se templos para as igrejas. Na última perseguição, durante o tempo de Diocleciano, alguns desses templos foram destruídos, e outros confiscados pelas autoridades. Todos os templos que ainda existiam quando Constantino subiu ao poder foram restaurados, e aqueles que tinham sido destruídos foram pagos pelas cidades em que estavam. A partir dessa época, os cristãos gozaram de plena liberdade para edificar templos, que começaram a ser erguidos por toda a parte. Esses templos tinham a forma e tomavam o nome da "basílica" romana ou salão da corte, isto é, um retângulo dividido por filas de colunas, tendo na extremidade uma plataforma semicircular, com assentos para os clérigos. Duas gerações após, começaram a aparecer as imagens nas igrejas. Os cristãos primitivos tinham horror a tudo que pudesse conduzir à idolatria.
Em muitos lugares, os templos pagãos foram dedicados ao culto cristão. Em todo o império, os templos dos deuses do paganismo eram mantidos pelo tesouro público, mas, com a mudança que se operara, esses donativos passaram a ser concedidos às igrejas e ao clero cristão. Em pequena escala, a princípio, mas logo depois de maneira generalizada e de forma liberal, o dinheiro público foi enriquecendo as igrejas, e os bispos, os ministros e todos os funcionários do culto cristão eram pagos pelo Estado. Ao clero foram concedidos muitos privilégios, nem sempre dados pela lei do império, mas por costume, que pouco depois se transformava em lei; não eram exigidos os deveres cívicos e estavam isentos de pagamento de impostos. As causas dos clérigos eram julgadas por cortes eclesiásticas, e não civis.
O primeiro dia da semana, domingo, foi proclamado como dia de descanso e adoração, e a observância logo se generalizou em todo o império. O espírito da nova religião foi incutido em muitas ordens decretadas por Constantino e por seus sucessores imediatos. A crucificação foi abolida, bem como o infanticídio foi reprimido. As lutas foram proibidas e a escravidão foi gradativamente abolida.
Apesar de os triunfos do cristianismo haverem proporcionado boas coisas ao povo, a sua aliança com o Estado trouxe, de fato, maus resultados para a igreja. Se o término da perseguição foi uma bênção, a oficialização do cristianismo como religião do Estado foi, não há dúvida, MALDIÇÃO. Todos queriam ser membros da igreja e quase todos eram aceitos. Tanto os bons quanto os maus, os que buscavam a Deus e os hipócritas buscando vantagens, todos se apressavam em ingressar na comunhão. Homens mundanos, ambiciosos e sem escrúpulos, todos desejavam postos na igreja para, assim, obterem influência social e política. O nível moral do cristianismo no poder era muito mais baixo do que aquele que distinguia os cristãos nos tempos de perseguição.
Os cultos de adoração aumentaram em esplendor, é certo, porém eram menos espirituais e menos sinceros do que no passado. Os costumes e as cerimônias do paganismo foram, pouco a pouco, infiltrando-se nos cultos de adoração. Algumas das antigas festas pagãs foram aceitas na igreja com nomes diferentes. Cerca do ano 405 d.C., as imagens dos santos e mártires começaram a aparecer nos templos, como objetos de reverência, adoração e culto. A adoração à virgem Maria substituiu a adoração a Venus e a Diana. A ceia do Senhor tornou-se um sacrifício, em lugar de uma recordação da morte do Senhor. O ancião evoluiu de pregador a sacerdote.
Como resultado da ascensão da igreja ao poder, não se vê os ideais do cristianismo transformando o mundo; o que se vê é o mundo dominando a igreja. A humildade e a santidade da igreja primitiva foram substituídas pela ambição, pelo orgulho e pela arrogância de seus membros. Apesar de haver alguns cristãos de espírito puro, a onda de mundanismo avançou e venceu a muitos que se diziam discípulos do humilde Senhor. A Igreja e o Estado tornaram-se uma só entidade quando o cristianismo foi adotado como religião do império, e dessa união inatural surgiram males sem conta nas províncias orientais e ocidentais. No oriente, o Estado dominava de tal modo a igreja que esta perdeu todo o poder que possuía. No ocidente, a igreja pouco a pouco usurpou o poder secular, e o resultado não foi cristianismo, e sim o estabelecimento de uma hierarquia mais ou menos corrompida, que dominava as nações da Europa, fazendo da igreja uma máquina política.
Meus amados, eis aí o retrato e o reflexo da igreja dos nossos dias. Contra fatos não há argumentos. Estamos diante de uma igreja que se diz rica, que não tem falta de nada. Contudo, é uma igreja falida e sem o caráter de Cristo. Portanto, é tempo de sair deste grande enredo diabólico, e dar ouvidos à voz de Deus através da mensagem da hora.
Concluímos também que tribulação, perseguição é algo inerente à vida cristã que nos faz chegar mais perto de Deus. Quando a tribulação cessou, parece que a igreja relaxou e deu brecha a espíritos enganadores. Lembramos as palavras do apóstolo Paulo: "A nossa leve e momentânea tribulação não há de se comparar com a glória que há de vir". "Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados pelo seu decreto".
Deus vos abençoe.
Trechos retirados do livro "A História da Igreja Cristã", da pág. 69 à 75, Jesse Lyman Hurbut, Editora Vida, edição de 1990.
Cessaram todas as perseguições para sempre. Durante duzentos anos antes, em nenhum momento os cristãos estiveram livres de perigos, acusações e morte. Entretanto, desde a publicação do edito de Constantino, no ano 313, até o termino do império, a espada foi não somente embainhada; foi enterrada.
Os templos das igrejas foram restaurados e novamente abertos em toda a parte. No período apostólico, celebravam-se reuniões em casas particulares e em salões alugados. Mais tarde, nos períodos em que cessavam as perseguições, construíam-se templos para as igrejas. Na última perseguição, durante o tempo de Diocleciano, alguns desses templos foram destruídos, e outros confiscados pelas autoridades. Todos os templos que ainda existiam quando Constantino subiu ao poder foram restaurados, e aqueles que tinham sido destruídos foram pagos pelas cidades em que estavam. A partir dessa época, os cristãos gozaram de plena liberdade para edificar templos, que começaram a ser erguidos por toda a parte. Esses templos tinham a forma e tomavam o nome da "basílica" romana ou salão da corte, isto é, um retângulo dividido por filas de colunas, tendo na extremidade uma plataforma semicircular, com assentos para os clérigos. Duas gerações após, começaram a aparecer as imagens nas igrejas. Os cristãos primitivos tinham horror a tudo que pudesse conduzir à idolatria.
Em muitos lugares, os templos pagãos foram dedicados ao culto cristão. Em todo o império, os templos dos deuses do paganismo eram mantidos pelo tesouro público, mas, com a mudança que se operara, esses donativos passaram a ser concedidos às igrejas e ao clero cristão. Em pequena escala, a princípio, mas logo depois de maneira generalizada e de forma liberal, o dinheiro público foi enriquecendo as igrejas, e os bispos, os ministros e todos os funcionários do culto cristão eram pagos pelo Estado. Ao clero foram concedidos muitos privilégios, nem sempre dados pela lei do império, mas por costume, que pouco depois se transformava em lei; não eram exigidos os deveres cívicos e estavam isentos de pagamento de impostos. As causas dos clérigos eram julgadas por cortes eclesiásticas, e não civis.
O primeiro dia da semana, domingo, foi proclamado como dia de descanso e adoração, e a observância logo se generalizou em todo o império. O espírito da nova religião foi incutido em muitas ordens decretadas por Constantino e por seus sucessores imediatos. A crucificação foi abolida, bem como o infanticídio foi reprimido. As lutas foram proibidas e a escravidão foi gradativamente abolida.
Apesar de os triunfos do cristianismo haverem proporcionado boas coisas ao povo, a sua aliança com o Estado trouxe, de fato, maus resultados para a igreja. Se o término da perseguição foi uma bênção, a oficialização do cristianismo como religião do Estado foi, não há dúvida, MALDIÇÃO. Todos queriam ser membros da igreja e quase todos eram aceitos. Tanto os bons quanto os maus, os que buscavam a Deus e os hipócritas buscando vantagens, todos se apressavam em ingressar na comunhão. Homens mundanos, ambiciosos e sem escrúpulos, todos desejavam postos na igreja para, assim, obterem influência social e política. O nível moral do cristianismo no poder era muito mais baixo do que aquele que distinguia os cristãos nos tempos de perseguição.
Os cultos de adoração aumentaram em esplendor, é certo, porém eram menos espirituais e menos sinceros do que no passado. Os costumes e as cerimônias do paganismo foram, pouco a pouco, infiltrando-se nos cultos de adoração. Algumas das antigas festas pagãs foram aceitas na igreja com nomes diferentes. Cerca do ano 405 d.C., as imagens dos santos e mártires começaram a aparecer nos templos, como objetos de reverência, adoração e culto. A adoração à virgem Maria substituiu a adoração a Venus e a Diana. A ceia do Senhor tornou-se um sacrifício, em lugar de uma recordação da morte do Senhor. O ancião evoluiu de pregador a sacerdote.
Como resultado da ascensão da igreja ao poder, não se vê os ideais do cristianismo transformando o mundo; o que se vê é o mundo dominando a igreja. A humildade e a santidade da igreja primitiva foram substituídas pela ambição, pelo orgulho e pela arrogância de seus membros. Apesar de haver alguns cristãos de espírito puro, a onda de mundanismo avançou e venceu a muitos que se diziam discípulos do humilde Senhor. A Igreja e o Estado tornaram-se uma só entidade quando o cristianismo foi adotado como religião do império, e dessa união inatural surgiram males sem conta nas províncias orientais e ocidentais. No oriente, o Estado dominava de tal modo a igreja que esta perdeu todo o poder que possuía. No ocidente, a igreja pouco a pouco usurpou o poder secular, e o resultado não foi cristianismo, e sim o estabelecimento de uma hierarquia mais ou menos corrompida, que dominava as nações da Europa, fazendo da igreja uma máquina política.
Meus amados, eis aí o retrato e o reflexo da igreja dos nossos dias. Contra fatos não há argumentos. Estamos diante de uma igreja que se diz rica, que não tem falta de nada. Contudo, é uma igreja falida e sem o caráter de Cristo. Portanto, é tempo de sair deste grande enredo diabólico, e dar ouvidos à voz de Deus através da mensagem da hora.
Concluímos também que tribulação, perseguição é algo inerente à vida cristã que nos faz chegar mais perto de Deus. Quando a tribulação cessou, parece que a igreja relaxou e deu brecha a espíritos enganadores. Lembramos as palavras do apóstolo Paulo: "A nossa leve e momentânea tribulação não há de se comparar com a glória que há de vir". "Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados pelo seu decreto".
Deus vos abençoe.
Trechos retirados do livro "A História da Igreja Cristã", da pág. 69 à 75, Jesse Lyman Hurbut, Editora Vida, edição de 1990.