quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Um caso muito parecido...

Recife, assim como Florianópolis e todo o estado de Santa Catarina, também tem uma geografia que pode agravar ainda mais uma situação de calamidade provocada por enchentes. A cidade é cortada por rios, e é inclusive por essa característica que ela é nacional e mundialmente conhecida como a "Veneza Brasileira". Esse agravamento provocado pela geografia da região ficou provado em 1975, quando houve um episódio semelhante ao que aconteceu aos catarinenses nesses últimos dias.

Considerada a maior calamidade do século para o Recife, esta enchente ocorreu entre os dias 17 e 18 de julho daquele ano, deixando 80% da cidade sob as águas. Outros 25 municípios da bacia do Capibaribe, uma das principais do estado de Pernambuco, também foram atingidos. Morreram 107 pessoas e outras 350 mil ficaram desabrigadas.

Na capital e no interior, 1.000 km de ferrovias foram destruídos, pontes desabaram e casas foram arrastadas pelas águas. Só no Recife, 31 bairros, 370 ruas e praças ficaram submersos; 40% dos postos de gasolina da cidade foram inundados; o sistema de energia elétrica foi cortado em 70% da área do município; quase todos os hospitais recifenses ficaram inundados, tendo o depósito de alimentos do Hospital Pedro II sido saqueado. Por terra, o Recife ficou isolado do resto do país durante dois dias.

O então governador de Pernambuco, Moura Cavalcanti, decretou estado de calamidade pública na capital e em 9 municípios do interior. O então presidente da República, em cadeia nacional de televisão, anunciou medidas para socorrer as cidades pernambucanas atingidas. No Recife, a cheia atingiu seu ponto culminante às 4 da madrugada do dia 18.

Na manhã do dia 21, quando as águas baixaram e a população começava a retomar a vida, o pânico tomou conta das ruas do Recife, em decorrência de um boato de que a Barragem de Tapacurá, uma das principais da região, havia estourado e que a cidade seria arrasada pela água.

Tudo ocorreu às 10 horas da manhã: de repente, a multidão corria de um lado para outro sem saber aonde ir; mulheres desmaiavam; os carros não respeitavam sinais nem contra-mão; guardas de trânsito abandonavam seus postos; várias pessoas foram atropeladas; bancos, casas comerciais e a agência central dos Correios fecharam as portas; no importante Hospital Barão de Lucena, várias pessoas pularam do primeiro andar; enquanto o boato se espalhava de boca em boca.

No Palácio do Governo, ao saber do que estava acontecendo, o governador Moura Cavalcanti comentou: "Agora não é mais tragédia, agora é mortandade". As emissoras de rádio passaram imediatamente a divulgar insistentes desmentidos. A Polícia Militar divulgou nota oficial informando que prenderia quem fosse flagrado repetindo o alarme.

A Polícia Federal anunciou que estava investigando a origem (nunca descoberta) do boato. O pânico durou cerca de duas horas, mas seu momento de maior intensidade teve cerca de 30 minutos. Mais de 100 pessoas foram atendidas nos serviços de emergência dos hospitais.

Passado o pânico, técnicos da Companhia de Abastecimento de Água informaram que um rompimento da Barragem de Tapacurá (que tem capacidade para 94 milhões de metros cúbicos de água e nada sofrera com a enchente) traria conseqüências imprevisíveis para a cidade do Recife.

Depois de todo esse episódio, que se agravou ainda mais em seu final com a divulgação desse boato (que terminou por surpreender uma população já fragilizada pela enchente), o Recife sofreu ainda grandes enchentes em 1977, 1978, 2000, 2004 e 2005.

Fonte: Pernambuco de A/Z


Sem dúvida, como muitos dizem, a natureza parace estar se vingando da raça humana por todos os danos que os seres humanos vêm causado há tempos ao meio ambiente. Esse episódio em Santa Catarina é mais uma catástrofe dentre tantas outras que já sobrevieram à humanidade em todas as partes do mundo, e não aconteceu por acaso. É hora de refletir melhor sobre isso!