Reportagem do DIARIO DE PERNAMBUCO deste domingo, 14 de setembro de 2008.
Descobertas que poderão surgir com os experimentos da "Máquina do Big Bang" deverão mudar a maneira como a humanidade entende o espiritual e o material. Manoel Barbosa // Especial para o Diario.
O desconhecido. Abismo que separa a humanidade do divino. Na semana passada, o ser humano começou a construir a mais ambiciosa ponte de conhecimento para ligar os dois lados. Na fronteira entre a França e a Suíça, o Grande Colisor de Hádrons (LCD) entrou em operação. O experimento mais caro de todos os tempos irá chocar prótons para tentar responder algumas das questões mais antigas da história: a origem do universo e onde o homem se insere nele. Entender a matéria e interferir na "criação". Ousadia que ultrapassa todos os limites já estabelecidos. O que acontecerá depois que o homem "brincar de Deus" é um mistério. Não será o fim do mundo, como se chegou a falar. Mas se as teorias dos cientistas se confirmarem, ele se acabará da forma que o vemos.
Chegou a hora da verdade entre a ciência, representada pelos seus físicos teóricos e um monumental arsenal técnico, e a espiritualidade, entrincheirada em sua fé. Saem de cena os debates e os raciocínios tortuosos e apaixonados para que a decisão sobre a origem divina ou meramente material do universo seja decidida pelas imagens fantasmas de partículas e dos dados captados pelos quatro imensos laboratórios-detetores montados ao longo do anel oval de 27 quilômetros do Larga Hadrons Calerator - LHC, o gigantesco acelerador de partículas que começou a funcionar desde a última segunda-feira para produzir o mais próximo possível do instante zero do universo.
A discussão é antiga. E confunde-se com as teorias cosmológicas. Os físicos, por lidar com a matéria, nunca puderam manter-se inteiramente neutros. Newtow acreditava que a engenharia mecânica do universo era orquestrada por Deus. Descartes, injustamente chamado um dos pais do mecanicismo, também viu Deus por trás de tudo.
A física Gricjka Bogonov entende que o universo não nasceu aleatoriamente - e, portanto, não faria sentido localizar o momento de sua criação física - porque ele foi criado antes de ser criado. Apoiando uma tese do astrofísico inglês Berrando Carter, sustentada desde 1954, ela diz "que as coisas são o que são simplesmente porque não poderiam ser diferente; não há lugar, na realidade, para um universo diferente daquele que nos gerou". (ver "Deus e Ciência", editado pela Nova Fronteira).
Bíblia - O físico Gerald L. Shihkoder acha que, "num certo sentido, a astrofísica é parte de uma superbusca ao criador". Ele sustenta, no livro "Gênesis e Big Bang" (Editora Cultrix), que "os astrofísicos e o conhecimento bíblico estão do mesmo lado, embora nem todos os envolvidos na busca se dêem conta disso".
No estudo "Uma Breve História do Tempo", o físico inglês Stephen Hawking resume a questão de Deus e o universo assim: "Uma resposta possível sobre se Deus escolheu a configuração inicial por razões que não devemos compreender. Isso certamente seria compatível com um ser onipotente, mas se ele tivesse dado início ao mundo de maneira incompreensível. Por que teria deixado à sorte de leis que podemos compreender? Toda história da ciência se forma através da compreensão gradual de que eventos não acontecerão de maneira arbitrária, refletem na verdade certa ordem comum que pode ou não ser de inspiração divina".
DEPOIMENTOS
"Eu acho que é uma questão antiga. Existe desde o surgimento do ser humano com capacidade de refletir. É uma resposta à pergunta sobre qual o lugar do homem no cosmos. Essas experiências e suas descobertas não ameaçam a filosofia e a religião. Com certeza irão surgir outras perguntas (depois de respondida qual a origem do universo). A pergunta será: quem criou o universo? É uma regressão ad infinitum".
Descobertas que poderão surgir com os experimentos da "Máquina do Big Bang" deverão mudar a maneira como a humanidade entende o espiritual e o material. Manoel Barbosa // Especial para o Diario.
O desconhecido. Abismo que separa a humanidade do divino. Na semana passada, o ser humano começou a construir a mais ambiciosa ponte de conhecimento para ligar os dois lados. Na fronteira entre a França e a Suíça, o Grande Colisor de Hádrons (LCD) entrou em operação. O experimento mais caro de todos os tempos irá chocar prótons para tentar responder algumas das questões mais antigas da história: a origem do universo e onde o homem se insere nele. Entender a matéria e interferir na "criação". Ousadia que ultrapassa todos os limites já estabelecidos. O que acontecerá depois que o homem "brincar de Deus" é um mistério. Não será o fim do mundo, como se chegou a falar. Mas se as teorias dos cientistas se confirmarem, ele se acabará da forma que o vemos.
Chegou a hora da verdade entre a ciência, representada pelos seus físicos teóricos e um monumental arsenal técnico, e a espiritualidade, entrincheirada em sua fé. Saem de cena os debates e os raciocínios tortuosos e apaixonados para que a decisão sobre a origem divina ou meramente material do universo seja decidida pelas imagens fantasmas de partículas e dos dados captados pelos quatro imensos laboratórios-detetores montados ao longo do anel oval de 27 quilômetros do Larga Hadrons Calerator - LHC, o gigantesco acelerador de partículas que começou a funcionar desde a última segunda-feira para produzir o mais próximo possível do instante zero do universo.
A discussão é antiga. E confunde-se com as teorias cosmológicas. Os físicos, por lidar com a matéria, nunca puderam manter-se inteiramente neutros. Newtow acreditava que a engenharia mecânica do universo era orquestrada por Deus. Descartes, injustamente chamado um dos pais do mecanicismo, também viu Deus por trás de tudo.
A física Gricjka Bogonov entende que o universo não nasceu aleatoriamente - e, portanto, não faria sentido localizar o momento de sua criação física - porque ele foi criado antes de ser criado. Apoiando uma tese do astrofísico inglês Berrando Carter, sustentada desde 1954, ela diz "que as coisas são o que são simplesmente porque não poderiam ser diferente; não há lugar, na realidade, para um universo diferente daquele que nos gerou". (ver "Deus e Ciência", editado pela Nova Fronteira).
Bíblia - O físico Gerald L. Shihkoder acha que, "num certo sentido, a astrofísica é parte de uma superbusca ao criador". Ele sustenta, no livro "Gênesis e Big Bang" (Editora Cultrix), que "os astrofísicos e o conhecimento bíblico estão do mesmo lado, embora nem todos os envolvidos na busca se dêem conta disso".
No estudo "Uma Breve História do Tempo", o físico inglês Stephen Hawking resume a questão de Deus e o universo assim: "Uma resposta possível sobre se Deus escolheu a configuração inicial por razões que não devemos compreender. Isso certamente seria compatível com um ser onipotente, mas se ele tivesse dado início ao mundo de maneira incompreensível. Por que teria deixado à sorte de leis que podemos compreender? Toda história da ciência se forma através da compreensão gradual de que eventos não acontecerão de maneira arbitrária, refletem na verdade certa ordem comum que pode ou não ser de inspiração divina".
DEPOIMENTOS
"Eu acho que é uma questão antiga. Existe desde o surgimento do ser humano com capacidade de refletir. É uma resposta à pergunta sobre qual o lugar do homem no cosmos. Essas experiências e suas descobertas não ameaçam a filosofia e a religião. Com certeza irão surgir outras perguntas (depois de respondida qual a origem do universo). A pergunta será: quem criou o universo? É uma regressão ad infinitum".
Karl Heinz Efken - coordenador do curso de Filosofia da Universidade Católica de Pernambuco.
O conhecimento que através da ciência temos obtido sobre o universo não constitui uma ameaça à fé e nem a religião. A ciência nos informa sobre 'o como é' ou como podem ter sido os processos, passos, mecanismo da evolução, mas tal conhecimento não elimina e nem respondem por si mesmo às perguntas da ordem do sentido, do significado, da finalidade (da obra de Deus)."
Degislando Nóbrega - professor do departamento de Teologia da Universidade Católica de Pernambuco".
Pode parecer um cenário de ficção científica, mas não é. As leis da natureza falam de ordem, criatividade e beleza surpreendentes. Nossas compreensões atuais carregam indícios do poder do pensamento, da imaginação e da curiosidade humanos. Por meio deles, nos são dados o discernimento e a compreensão do plano criativo de Deus".
Katarina Pajchel - irmã dominicana, física da Universidade de Oslo, na Noruega, e que trabalha no CERN.